O Dia em que meu avô saiu de férias

Quando eu era uma criança feliz e inocente, acreditava só no hoje. Era muito bom para mim, e me mantia sendo o que eu era. Mas, depois que eu cresci, deixei de ser uma das coisas acima, pois, é aquela história: a gente cresce e aprende (ou algo do tipo).

Uma das coisas que achava que estava longe do meu alcance, era a morte. Sempre achava que ia demorar e, eu feliz, achava que tal coisa iria acontecer, tinha tal consciência, mas nunca me imaginava presenciando tal coisa.

Mas como o tempo é uma pessoa sem coração, sem me avisou que passou tão rápido, e esqueceu de me avisar que sim, uma hora ele acaba. E infelizmente, acabou para o meu avô ano passado.

Então, todo dia sete, eu me lembro disso, aliás, me lembro bem mesmo da data sete de setembro. Ele sempre foi bastante teimoso e sempre carente por atenção. Brincamos aqui que ele tirou férias justo nessa data para não ser esquecido.

Não vou dizer que não dói ainda. É uma coisa inesplicável não ver mais a pessoa querida na porta da casa a esperando para abraçar você. Não vou dizer também que as coisas continuam iguais, pois minha avó agora divide a casa comigo. Não vou dizer também, que é fácil mudar a sua rotina de criança alegre. Mas é inevitável, a gente se acostuma.

Até porque, ele era muito teimoso mesmo. De vez em quando, eu tenho esses sonhos malucos, onde ele aparece para tomar café da tarde comigo. É estranho de dois modos: ele nunca aparecia para tomar café da tarde comigo (tanto em sonhos, quanto na vida real) e sempre pega mais rápido as minhas bolachas recheadas.

Então, a vida continua, eu ainda não comi as bolachas recheadas e tenho em mente que, não quero dizer que ele morreu, apenas tirou férias da vida mundana …

Garota Perdida chorou três vezes antes de postar e durante, e ainda está tentando arranjar uma maneira de comer as bolachas de chocolate no sonho. Inté, =*

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